{"id":17494,"date":"2019-06-04T12:17:34","date_gmt":"2019-06-04T15:17:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portalalerta.com.br\/?p=17494"},"modified":"2019-06-04T12:17:34","modified_gmt":"2019-06-04T15:17:34","slug":"a-imaginacao-esquizofrenica-a-transexualidade-em-questao-por-dequex-junior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portalalerta.com.br\/index.php\/2019\/06\/04\/a-imaginacao-esquizofrenica-a-transexualidade-em-questao-por-dequex-junior\/","title":{"rendered":"A imagina\u00e7\u00e3o esquizofr\u00eanica: a transexualidade em quest\u00e3o, por Dequex Junior"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Partindo de uma elucubra\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica para distinguir e, por conseguinte, verificar a similaridade entre as coisas, come\u00e7aremos por estabelecer que vivemos dois mundos distintos: o\u00a0<em>mundo das coisas reais<\/em>\u00a0e o\u00a0<em>mundo da imagina\u00e7\u00e3o<\/em>. Cada um desses mundos corresponde a uma realidade espec\u00edfica: o mundo das coisas corresponde \u00e0 realidade real e o mundo da imagina\u00e7\u00e3o corresponde \u00e0 realidade ficcional. Entretanto, todo o mundo imaginativo deve se basear no mundo das coisas reais, ou seja, toda realidade ficcional deve se fundar na realidade real, pois caso isso n\u00e3o ocorra, caso haja um antagonismo extremo entre eles, a fic\u00e7\u00e3o, ou seja, a imagina\u00e7\u00e3o torna-se esquizofrenia.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A realidade real necessariamente tem que ser diferente da realidade ficcional para que possamos perceb\u00ea-las como realidades distintas. Uma obra imaginativa se distingue da realidade por ser ela uma antinomia desta. Mas ela \u00e9 antin\u00f4mica, mas n\u00e3o contradit\u00f3ria, pois se assim fosse n\u00e3o poder\u00edamos compar\u00e1-las. Isso significa dizer que o mundo imaginativo deve ter uma semelhan\u00e7a com o mundo das coisas para que se possa compreender a diferen\u00e7a: um gato no mundo imaginativo n\u00e3o pode ser diferente de um gato no mundo real. Quando perdemos, entretanto, a nossa capacidade de distinguir o mundo real do mundo ficcional, ou seja, quando n\u00e3o mais conseguimos distinguir uma coisa real de uma coisa ficcional \u00e9 porque adentramos num estado de esquizofrenia paranoica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando comparamos duas realidades estamos buscando verificar o que h\u00e1 de semelhante e o que h\u00e1 de diferente. Isso significa, como alerta Mario Ferreira dos Santos, que \u201c<em>o semelhante n\u00e3o \u00e9 uma categoria do id\u00eantico<\/em>\u201d, pois \u201cdizemos que alguma coisa \u00e9 id\u00eantica quando \u00e9 igual a si mesma\u201d. Por exemplo, uma mesa s\u00f3 pode ser id\u00eantica a si mesmo porque n\u00e3o \u00e9 outra. Ou seja, nas palavras de Santos, \u201cQualquer parte da realidade s\u00f3 pode ser considerada id\u00eantica a si mesma no sentido de que n\u00e3o \u00e9 outra coisa\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 fundamental para o homem, a partir de suas experi\u00eancias, agrupar os semelhantes atrav\u00e9s da atividade de diferencia\u00e7\u00e3o. A partir da forma, por exemplo, o homem pode, por meio da abstra\u00e7\u00e3o, perceber as semelhan\u00e7as entre as \u00e1rvores, estabelecendo o conceito de \u00e1rvore. Mario Ferreira dos Santos, em sua obra\u00a0<em>Filosofia e Cosmovis\u00e3o<\/em>, diz que \u201cUm conceito, ao incluir um conjunto de fatos singulares, exclui outros\u201d. Ou seja, quando se conceitua os vertebrados, excluem-se os invertebrados. Esse dualismos, prossegue o fil\u00f3sofo, \u201c\u00e9 uma decorr\u00eancia do ato racional de conceitua\u00e7\u00e3o, ou seja, de dar um conceito, com uma denomina\u00e7\u00e3o comum, a certo n\u00famero de fatos que nos parecem id\u00eanticos. Ao procedermos assim, j\u00e1 fazemos uma exclus\u00e3o, quer dizer, separamos tudo quanto n\u00e3o \u00e9 semelhante ao que conceituamos\u201d. Segundo ele, \u201c\u00c9 caracter\u00edstica de nosso esp\u00edrito desdobrar-se em duas fun\u00e7\u00f5es: a que procura o\u00a0<em>semelhante<\/em>\u00a0e o que percebe o\u00a0<em>diferente<\/em>\u201d. A primeira \u201c\u00e9 a que melhor corresponde \u00e0 natureza do homem, por simplificar e assegurar uma economia ao trabalho mental\u201d; a segunda, \u201c\u00e9 mais cansativa\u201d, pois se faz necess\u00e1rio uma racionaliza\u00e7\u00e3o constante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa pequena introdu\u00e7\u00e3o se fez necess\u00e1ria para tentar compreender um fato noticiado no G1, na data de 31\/05\/2019, por C\u00edntia Acayaba e L\u00e9o Arcoverde, intitulado \u201cPol\u00edcia de SP registra 1\u00aa transexual como v\u00edtima de feminic\u00eddio; casos aumentam 54% no 1\u00ba quadrimestre\u201d. O pr\u00f3prio t\u00edtulo j\u00e1 indica toda uma manobra pol\u00edtica de estabelecer uma situa\u00e7\u00e3o de similaridade entre mulher e transexual, que por natureza s\u00e3o coisas distintas. Essa similitude \u00e9 meramente ficcional, pois se o homem, como argumenta Ralph Linton, em sua obra\u00a0<em>o Homem: uma introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 antropologia<\/em>, \u201cest\u00e1 sujeito exatamente \u00e0s mesmas leis biol\u00f3gicas que outros mam\u00edferos e deve suas varia\u00e7\u00f5es atuais aos mesmos processos evolutivos\u201d, e se h\u00e1 uma divis\u00e3o biol\u00f3gica sexual entre macho e f\u00eamea, como nos demais mam\u00edferos, ent\u00e3o n\u00e3o pode haver semelhan\u00e7a naquilo que a natureza estabeleceu como diferente. Mesmo que n\u00e3o possamos distinguir por meio de evid\u00eancias subjetivas uma mulher de uma transexual n\u00e3o significa dizer que objetivamente sejam similares, pois ainda persistem diferen\u00e7as biol\u00f3gicas significativas e que s\u00e3o imut\u00e1veis por natureza. Um exemplo disso \u00e9 a celeuma hoje existente de transexuais participando de competi\u00e7\u00f5es esportivas femininas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, o fato enseja uma melhor an\u00e1lise. O cerne da mat\u00e9ria \u00e9 que uma transexual foi morta pelo seu companheiro e, de forma indutiva, a pol\u00edcia paulista considerou de bom alvitre enquadrar o crime na lei de feminic\u00eddio, criada em 2015.\u00a0\u00a0A lei 13.104\/2015 estabelece,\u00a0<em>grosso modo<\/em>, que o feminic\u00eddio se d\u00e1 quando um homem mata uma mulher por sua condi\u00e7\u00e3o de pertencimento ao sexo feminino. Ou seja, \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o de sexo feminino que configura o feminic\u00eddio. A mat\u00e9ria diz que em outubro de 2016, o Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo j\u00e1 havia denunciado por crime de feminic\u00eddio um ex-companheiro de uma transexual. O Minist\u00e9rio P\u00fablico partiu do princ\u00edpio de que \u201cQuando h\u00e1 altera\u00e7\u00e3o no registro civil de um homem para mulher e quando h\u00e1 uma autodetermina\u00e7\u00e3o no campo psicol\u00f3gico, o homem passa a ser considerado, no mundo jur\u00eddico, como mulher\u201d. Ou seja, para esses profissionais da \u00e1rea do Direito o mundo jur\u00eddico \u00e9 um mundo \u00e0 parte, n\u00e3o necessitando est\u00e1 em conex\u00e3o com o mundo real, pois s\u00e3o as evid\u00eancias imaginativas que prevalecem sobre as evid\u00eancias objetivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vamos tomar como refer\u00eancia essa cosmovis\u00e3o jur\u00eddica e imaginar que um homem, que em tempos passados tenha vivido matrimonialmente com uma mulher, onde esta depois se transformou num transexual masculino, n\u00e3o conformado com a separa\u00e7\u00e3o, mata essa mulher que mudou o nome para Marco Ant\u00f4nio e se autodeterminou psicologicamente homem. H\u00e1 aqui um feminic\u00eddio ou um homic\u00eddio? Acredita-se, por analogia, que para o mundo jur\u00eddico, essa mulher, que agora \u00e9 transexual masculino, n\u00e3o poder\u00e1 ser enquadrada na lei 13.104\/2015, pois lhe falta naquele momento a condi\u00e7\u00e3o de sexo feminino. Isto \u00e9, para o mundo jur\u00eddico, a condi\u00e7\u00e3o sexual (ser homem ou ser mulher) \u00e9 temporal e n\u00e3o uma condi\u00e7\u00e3o natural (biol\u00f3gica).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem no mundo imagin\u00e1rio isso \u00e9 poss\u00edvel! No mundo real um rinoceronte, mesmo que por mutila\u00e7\u00e3o perca os seus chifres, n\u00e3o deixa de ser um rinoceronte; um urso, mesmo que coloque um chifre no meio da testa, n\u00e3o deixa de ser um urso. Mas no mundo imagin\u00e1rio um cavalo com chifre n\u00e3o \u00e9 um cavalo, mas um unic\u00f3rnio; uma mulher com rabo de peixe n\u00e3o \u00e9 uma mulher, mas uma sereia. Por tanto, no mundo real um homem, mesmo tendo feito uma cirurgia de mudan\u00e7a de sexo, continua sendo um homem (um eunuco), tal como um cavalo castrado continua sendo um cavalo. No mundo imagin\u00e1rio, por sua vez, um homem que muda de sexo n\u00e3o pode ser mais um homem, muito menos uma mulher, \u00e9 um emaculado, uma transexual. Desta forma, somente no mundo esquizofr\u00eanico, que n\u00e3o consegue distinguir o que \u00e9 real e o que imaginativo, uma transexual pode ser classificada como mulher ou um transexual pode ser classificado como homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa esquizofrenia pode ser constatada em outra mat\u00e9ria, esta mais long\u00ednqua, tamb\u00e9m publicada no G1, em 19\/11\/2015, por Renan Ramalho, intitulada \u201cRelator no STF vota a favor do uso de banheiro feminino por transexual\u201d. Nesta mat\u00e9ria, os doutos superministros abriram vota\u00e7\u00e3o para decidir sobre o direito das transexuais de usarem os banheiros femininos a partir da \u201cidentidade de g\u00eanero\u201d, ou seja, como se percebem, independente do sexo. Essa preocupa\u00e7\u00e3o dos superministros se deu por conta de uma transexual ter sido impedida de usar o banheiro feminino de um shopping em Santa Catarina. Na mat\u00e9ria, a advogada da v\u00edtima sustentou a seguinte tese: \u201cQuando se discute se uma transexual pode ou n\u00e3o fazer uso do banheiro feminino, ou seja, do banheiro pertencente ao g\u00eanero com o qual se identifica est\u00e1 se discutindo ainda seu direito \u00e0 identidade e \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o sexual, \u00e0 honra, \u00e0 intimidade e \u00e0 privacidade. Est\u00e1 se discutindo se essa mulher e tantas outras e outros na mesma situa\u00e7\u00e3o t\u00eam ou n\u00e3o o direito de viver sem marginaliza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2867 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.portalalerta.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/protege-1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"140\" \/>Para analisar a situa\u00e7\u00e3o acima vou recorrer ao racioc\u00ednio l\u00f3gico. Vamos utilizar a defini\u00e7\u00e3o aristot\u00e9lica de homem como animal racional e falante. Nesta defini\u00e7\u00e3o, o homem \u00e9 a\u00a0<em>esp\u00e9cie<\/em>; o animal \u00e9 o\u00a0<em>g\u00eanero<\/em>; e o racional e falante a\u00a0<em>diferen\u00e7a espec\u00edfica<\/em>, ou seja, \u00e9 o que diferencia o homem (e tamb\u00e9m a mulher) de todos os outros animais. Por essa defini\u00e7\u00e3o, verifica-se que homem e mulher s\u00e3o esp\u00e9cies do mesmo g\u00eanero (animal). Vou recorrer ao silogismo para buscar um melhor entendimento sobre essa quest\u00e3o de identidade de g\u00eanero ressaltada na situa\u00e7\u00e3o acima: Todas as mulheres s\u00e3o do sexo feminino; Fabiana \u00e9 mulher; logo, \u00e9 do sexo feminino. Temos ent\u00e3o uma classifica\u00e7\u00e3o: Fabiana pertence \u00e0 esp\u00e9cie\u00a0<em>mulher<\/em>, que pertence, por sua vez, ao g\u00eanero\u00a0<em>feminino<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o mundo jur\u00eddico, descrito pelos superministros e pela advogada da transexual, esse silogismo n\u00e3o tem valor algum, pois o homem pode ser classificado na esp\u00e9cie mulher e, por conseguinte, no g\u00eanero feminino, justamente porque a identidade \u00e9 definida a partir de como o indiv\u00edduo se percebe e n\u00e3o como ele \u00e9 realmente. A verdade n\u00e3o est\u00e1 mais na raz\u00e3o (sujeito) ou nas coisas (objeto), mas na imagina\u00e7\u00e3o, no sentir-se. Ou seja, Carlos pode pertencer ao g\u00eanero feminino caso se sinta uma mulher, n\u00e3o importando se originalmente esteja classificado na categoria de homem. \u00c9 a chamada autodetermina\u00e7\u00e3o, que passou a adquirir um poder sobrenatural, que se sobrep\u00f5e \u00e0 realidade real, podendo a pessoa ser o que quiser, bastando apenas se sentir. A performatiza\u00e7\u00e3o \u00e9 o que importa. \u00c9 \u00f3bvio que um enunciado que diga que um homem \u00e9 uma mulher \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o, pois um nega o outro da mesma forma que um enunciado que diga que um cavalo \u00e9 um gato, logo, \u00e9 falso, pois para um enunciado ser verdadeiro, diz Mario Ferreira dos Santos, tem que ter \u201cuma identifica\u00e7\u00e3o entre a representa\u00e7\u00e3o que temos de um fato e esse fato. Se o que enunciamos de um fato corresponde ao fato, diremos que esse enunciado \u00e9 verdadeiro\u201d, mas se o que enunciamos de um fato n\u00e3o corresponde ao fato, diremos que o enunciado \u00e9 falso. \u00c9 a perda do senso de realidade que caracteriza esse interregno entre o mundo real e o mundo imaginativo, que \u00e9 justamente onde se encontra o mundo jur\u00eddico dos nossos superministros do STF, legitimado por alguns ju\u00edzes, promotores p\u00fablicos, advogados e delegados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, esse mundo jur\u00eddico n\u00e3o \u00e9 o mundo jur\u00eddico propriamente dito, mas um mundo fict\u00edcio criado por uma mentalidade esquizofr\u00eanica, que quer tornar o mundo a imagem e semelhan\u00e7a de sua mente doentia. H\u00e1 nesses dois fatos uma manipula\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica para que, atrav\u00e9s da\u00a0<em>disson\u00e2ncia cognitiva<\/em>, a opini\u00e3o p\u00fablica passe a aceitar, mesmo contrariando as cren\u00e7as, as atitudes e os valores estabelecidos, a similitude entre uma mulher e uma transexual. S\u00e3o os elementos da cogni\u00e7\u00e3o que precisam ser alterados por meio da manipula\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica para que se aceite essa equival\u00eancia. Os elementos da cogni\u00e7\u00e3o refletem a realidade. Assim, se for criada uma nova realidade, mesmo que seja fict\u00edcia, h\u00e1 grandes possibilidades de que os elementos da cogni\u00e7\u00e3o sejam tamb\u00e9m alterados, bastando apenas que a disson\u00e2ncia seja reduzida ou transformada em conson\u00e2ncia. N\u00e3o \u00e9 por acaso que a m\u00eddia atualmente vem propagando constantemente a imagem de transexuais, inclusive por meio de telenovelas e desenhos animados como \u00e9 o caso da anima\u00e7\u00e3o brasileira Super Drags que tinha a previs\u00e3o de passar na Netflix.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Faz-se necess\u00e1rio uma digress\u00e3o para explicar melhor o que \u00e9 disson\u00e2ncia cognitiva, pois essa pr\u00e1tica de manipula\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica tonou-se uma pr\u00e1xis constante em v\u00e1rias esferas da sociedade, especialmente na educa\u00e7\u00e3o como bem pontuou Pascal Bernardin no livro<em>Maquiavel Pedagogo<\/em>. Em sua obra\u00a0<em>Teoria da disson\u00e2ncia cognitiva<\/em>, Leon Festinger diz que h\u00e1 disson\u00e2ncia quando dois elementos da cogni\u00e7\u00e3o n\u00e3o se ajustam entre si: \u201cPodem ser incoerentes ou contradit\u00f3rios, os padr\u00f5es culturais ou do grupo podem ditar que n\u00e3o se harmonizam e assim por diante\u201d. O autor exemplifica: \u201cse uma pessoal j\u00e1 estivesse endividada e tamb\u00e9m comprasse um novo autom\u00f3vel, os elementos cognitivos correspondentes seriam dissonantes entre si\u201d. Exemplificando agora a partir da situa\u00e7\u00e3o do uso de banheiros femininos por transexuais: h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o dissonante se uma mulher soubesse que s\u00f3 h\u00e1 mulheres no banheiro feminino, mas tamb\u00e9m ficasse temerosa de encontrar uma transexual l\u00e1. Conforme Festinger, \u201cA disson\u00e2ncia existiria por causa do que a pessoa tinha aprendido ou das expectativas que passa a alimentar, por causa do que \u00e9 considerado usual ou apropriado, ou por muitas outras raz\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso da equival\u00eancia entre mulher e transexual podemos encontrar v\u00e1rias disson\u00e2ncias:\u00a0<em>disson\u00e2ncia de inconsist\u00eancia l\u00f3gica<\/em>, pois uma pessoa pode acreditar que um homem pode se transformar em uma mulher, mas tamb\u00e9m crer que o m\u00e9dico \u00e9 incapaz de transformar um homem em mulher pela via da cirurgia de mudan\u00e7a de sexo;\u00a0<em>disson\u00e2ncia cultural<\/em>, pois um homem adentrar ao banheiro feminino \u00e9 dissonante com o comportamento cultural do uso de banheiros femininos exclusivamente por mulheres; e,\u00a0<em>disson\u00e2ncia de opini\u00e3o<\/em>, pois a opini\u00e3o mais geral \u00e9 de que o banheiro feminino \u00e9 de uso exclusivo de mulheres, mas num determinado momento, por press\u00e3o de opini\u00f5es espec\u00edficas, se aceita a presen\u00e7a de uma transexual no banheiro feminino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A manipula\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica por meio da disson\u00e2ncia cognitiva \u00e9 uma estrat\u00e9gia da esquerda socialista para modificar pensamentos e comportamentos, onde a linguagem tem um papel preponderante nesse processo revolucion\u00e1rio. George Orwell descreveu formidavelmente esse processo na sua obra de fic\u00e7\u00e3o\u00a0<em>1984<\/em>. O objetivo da\u00a0<em>novafala<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>novil\u00edngua<\/em>\u00a0\u00e9 criminalizar o pensamento por meio da linguagem. A disson\u00e2ncia cognitiva se d\u00e1 atrav\u00e9s do \u201cduplipensamento\u201d, que \u00e9 justamente \u201cdefender ao mesmo tempo duas opini\u00f5es que se anulam uma \u00e0 outra, sabendo que s\u00e3o contradit\u00f3rias e acreditando nas duas; recorrer \u00e0 l\u00f3gica para questionar a l\u00f3gica, repudiar a moralidade dizendo-se moralista, acreditar que a democracia era imposs\u00edvel e que o Partido era o guardi\u00e3o da democracia; esquecer tudo o que fosse preciso esquecer, depois reinstalar o esquecido na mem\u00f3ria no momento em que ele se mostrasse necess\u00e1rio, depois esquecer tudo de novo sem o menor problema; e, acima de tudo, aplicar o mesmo processo ao processo em si. Esta a \u00faltima sutileza: induzir conscientemente a inconsci\u00eancia e depois, mais uma vez, tornar-se inconscientemente do ato de hipnose realizado pouco antes. Inclusive entender que o mundo em \u2018duplipensamento\u2019 envolvia o uso do duplipensamento\u201d. Essa cita\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante esclarecedora no sentido de compreender como funciona a mentalidade esquerdista socialista. N\u00e3o s\u00e3o tais contradi\u00e7\u00f5es verificadas nos discursos ret\u00f3ricos da nossa\u00a0<em>intelligentsia<\/em>socialista? Ou seja, n\u00e3o \u00e9 o mundo do \u201cduplipensamento\u201d que se imp\u00f5e ao se buscar similaridade entre a mulher e a transexual?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O julgamento do caso do direito do transexual utilizar o banheiro feminino \u00e0 \u00e9poca foi adiado pela diverg\u00eancia de opini\u00f5es entre os superministros. O Relator, Lu\u00eds Roberto Barroso, se sustentou em Kant e na sua concep\u00e7\u00e3o de dignidade humana para justificar o seu voto favor\u00e1vel, afirmando \u201cque dignidade \u00e9 um valor \u2018intr\u00ednseco\u2019 a toda e qualquer pessoa, sendo dever do Estado garantir sua efetividade conforme as escolhas de cada um\u201d. Em seguida disse \u201cque o \u2018suposto constrangimento\u2019 causado \u00e0s demais mulheres num banheiro feminino pela presen\u00e7a de uma transexual \u2018n\u00e3o \u00e9 compar\u00e1vel ao mal estar\u2019 suportado por ela se tivesse que usar o banheiro masculino\u201d. Para finalizar, o superministro-relator, exemplifica: \u201cimagine-se o desconforto que teria uma pessoa como a Roberta Close ou uma pessoa como Rog\u00e9ria se forem obrigadas a frequentarem um banheiro masculino, que seria uma agress\u00e3o \u00e0 natureza dessas pessoas, uma agress\u00e3o \u00e0 identidade dessas pessoas, ao modo como elas se percebem, ao modo como elas vivem as suas vidas\u201d. J\u00e1 o superministro Luiz Fux foi mais coerente e precavido: \u201cna an\u00e1lise de temas com \u2018desacordo moral t\u00e3o expressivo\u201d que dividem a sociedade, \u00e9 preciso mais tempo para uma decis\u00e3o definitiva do Supremo, citando \u2018indaga\u00e7\u00f5es populares\u2019 sobre a quest\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 guisa de conclus\u00e3o, a homossexualidade n\u00e3o \u00e9 o problema, nunca foi, pois desde sempre h\u00e1 rela\u00e7\u00f5es entre pessoas do mesmo sexo. O problema \u00e9 quando se politiza a sexualidade para transformar a sociedade, modificando toda uma cultura por conta de um desejo vinculado a um prazer sexual. O que est\u00e1 por tr\u00e1s de tudo isso n\u00e3o \u00e9 a defesa da dignidade da transexual, mas uma revolu\u00e7\u00e3o social por meio da revolu\u00e7\u00e3o sexual, revolu\u00e7\u00e3o esta notadamente delineada pela Escola de Frankfurt atrav\u00e9s, por exemplo, de Herbert Marcuse. Dir\u00e1 este em seu livro\u00a0<em>Contra-revolu\u00e7\u00e3o e revolta<\/em>: \u201ca revolu\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o \u00e9 revolu\u00e7\u00e3o se n\u00e3o se converter numa revolu\u00e7\u00e3o do ser humano, se a liberta\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o estiver em completa converg\u00eancia com a moralidade pol\u00edtica\u201d. Essa liberta\u00e7\u00e3o sexual nada mais \u00e9 que a liberta\u00e7\u00e3o dos instintos, onde esta se converter\u00e1, segundo Marcuse, \u201cnuma for\u00e7a de liberta\u00e7\u00e3o social somente no grau em que a energia sexual se transformar em energia er\u00f3tica, lutando por mudar o modo de vida numa escala pol\u00edtica e social\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o considero razo\u00e1vel que uma op\u00e7\u00e3o sexual esteja acima de quest\u00f5es religiosas, morais e tradicionais enraizadas na cultura h\u00e1 mais de dois mil anos. N\u00e3o considero razo\u00e1vel que os interesses de um pequen\u00edssimo grupo estejam acima dos interesses da maioria. Somente na mente esquizofr\u00eanica da esquerda socialista o irrazo\u00e1vel se harmonizar dialeticamente com o razo\u00e1vel da mesma forma que o irracional e o racional, o verdadeiro e o falso. S\u00f3 na mentalidade esquizofr\u00eanica da esquerda socialista a imagem n\u00e3o precisa ter qualquer correspond\u00eancia com a realidade, pois vivem no mundo do duplipensamento, que \u00e9 na verdade um mundo esquizofr\u00eanico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Dequex Araujo Silva Junior<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Doutor em Ci\u00eancias Sociais<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Membro do Instituto Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Membro fundador do Instituto Ant\u00f4nio Lacerda<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: <a href=\"http:\/\/dequexjr.blogspot.com\/\">http:\/\/dequexjr.blogspot.com\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Partindo de uma elucubra\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica para distinguir e, por conseguinte, verificar a similaridade entre as coisas, come\u00e7aremos por estabelecer que vivemos dois mundos distintos: o\u00a0mundo das coisas reais\u00a0e o\u00a0mundo da imagina\u00e7\u00e3o. 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