{"id":19112,"date":"2019-08-31T16:22:51","date_gmt":"2019-08-31T19:22:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portalalerta.com.br\/?p=19112"},"modified":"2019-08-31T16:22:51","modified_gmt":"2019-08-31T19:22:51","slug":"investigacoes-revelam-quadrilhas-e-ganho-milionario-por-tras-do-desmate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portalalerta.com.br\/index.php\/2019\/08\/31\/investigacoes-revelam-quadrilhas-e-ganho-milionario-por-tras-do-desmate\/","title":{"rendered":"Investiga\u00e7\u00f5es revelam quadrilhas e ganho milion\u00e1rio por tr\u00e1s do desmate"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Corrup\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o de quadrilha, trabalho escravo, viol\u00eancia, grilagem, roubo de madeira. O desmatamento ilegal da Amaz\u00f4nia se insere em um conjunto de crimes que vai muito al\u00e9m do ambiental e envolve custos \u2013 e ganhos \u2013 milion\u00e1rios.\u00a0<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Investiga\u00e7\u00f5es da for\u00e7a-tarefa Amaz\u00f4nia, do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, demonstram que h\u00e1 elaboradas organiza\u00e7\u00f5es criminosas por tr\u00e1s do problema. Nesse processo, as queimadas s\u00e3o apenas a sua face mais vis\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o vou ignorar que existe sim o desmatamento da pobreza, que \u00e9 para fins de subsist\u00eancia, mas o que realmente d\u00e1 volume, o desmatamento de grandes propor\u00e7\u00f5es, que \u00e9 o objeto de preocupa\u00e7\u00e3o, \u00e9 outro. No sul do Amazonas vimos cortes de 200, 500, 1 mil hectares (cada hectare equivale a cerca de um campo de futebol) de uma s\u00f3 vez. E isso quem faz \u00e9 o fazendeiro j\u00e1 com rebanho consider\u00e1vel que quer expandir para uma \u00e1rea que n\u00e3o \u00e9 dele. \u00c9 o grileiro que invade uma terra p\u00fablica. N\u00e3o tem nada a ver com pobreza\u201d, disse ao jornal\u00a0O Estado de S. Paulo\u00a0o procurador Joel Bogo, no Amazonas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2902 alignleft\" src=\"https:\/\/www.portalalerta.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/elab-2.jpg\" alt=\"\" width=\"310\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.portalalerta.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/elab-2.jpg 310w, https:\/\/www.portalalerta.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/elab-2-226x146.jpg 226w, https:\/\/www.portalalerta.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/elab-2-50x32.jpg 50w, https:\/\/www.portalalerta.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/elab-2-116x75.jpg 116w\" sizes=\"(max-width: 310px) 100vw, 310px\" \/>O custo para fazer um desmatamento desses \u00e9 alto. Segundo ele, \u00e9 de no m\u00ednimo R$ 800 por hectare, mas pode chegar a R$ 2 mil. \u201cDepende das condi\u00e7\u00f5es. Se tem muitas motosserras, por exemplo, ou se usa corrent\u00e3o. Um trator esteira, para abrir os ramais (estradas), custa centenas de milhares de reais. Em um desmate no Acre de 180 hectares, o Ibama encontrou 35 pessoas trabalhando ao mesmo tempo. Em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o\u201d, relata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em pouco mais de um ano, o esfor\u00e7o da Procuradoria, que envolveu o trabalho de 15 procuradores em Amazonas, Rond\u00f4nia, Amap\u00e1, Acre e Par\u00e1, resultou em seis opera\u00e7\u00f5es com a\u00e7\u00f5es penais j\u00e1 ajuizadas S\u00f3 no Amazonas, 33 pessoas foram denunciadas criminalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns dos casos investigados pela for\u00e7a-tarefa envolvem altas somas nos mais variados crimes ambientais. Um caso \u00e9 o de uma fam\u00edlia denunciada por extrair ilegalmente ouro ao longo de quase dez anos em garimpo no Amap\u00e1. A Pol\u00edcia Federal estimou que o grupo tenha lucrado cerca de R$ 19 milh\u00f5es. Em outro caso, de extra\u00e7\u00e3o de madeira na terra ind\u00edgena Karipuna, em Rond\u00f4nia, o dano ambiental foi calculado em mais de R$ 22 milh\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nove pessoas e duas empresas foram denunciadas por invadir e lotear a terra ind\u00edgena. Laudo da Pol\u00edtica Federal descreveu grandes \u00e1reas desmatadas e constru\u00e7\u00f5es sendo feitas para ocupa\u00e7\u00e3o humana, sob a falsa promessa de regulariza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea. A opera\u00e7\u00e3o descreve que o desmate no local saltou de 1.195,34 hectares (de 2016 a 2017) para 4.191,37 hectares no ano seguinte<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Bogo, um dos casos mais exemplares foi o da Opera\u00e7\u00e3o Ojuara, na qual o MPF denunciou 22 pessoas por corrup\u00e7\u00e3o, constitui\u00e7\u00e3o de mil\u00edcia privada, divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es sigilosas, lavagem de dinheiro e associa\u00e7\u00e3o criminosa, em um processo que ocorria h\u00e1 anos no Acre e no Amazonas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPara levar a cabo o desmatamento e a grilagem (apropria\u00e7\u00e3o de terra p\u00fablica e falsifica\u00e7\u00e3o de documentos para, ilegalmente, tomar posse dessa terra), alguns fazendeiros tinham ramifica\u00e7\u00e3o at\u00e9 em \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos\u201d, diz Bogo. Segundo ele, havia crimes como falsidade em cart\u00f3rio e corrup\u00e7\u00e3o de servidor p\u00fablico. \u201cEra um grupo organizado, que atuava at\u00e9 com georreferenciamento. Havia toda uma divis\u00e3o de tarefas que leva \u00e0 conclus\u00e3o de que se tratava de crime feito de modo organizado.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Grilagem<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desmate para especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria \u00e9 outra face do problema. A floresta \u00e9 derrubada apenas para poder ser vendida. \u201cCom floresta em p\u00e9, a terra vale pouco. O que valoriza \u00e9 a derrubada \u00c1rea pronta para pasto \u00e9 muito mais cara\u201d, resume Bogo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estudo publicado em junho na revista Environmental Research Letters mostra que grande parte dos lucros da grilagem se d\u00e1 com est\u00edmulos da pr\u00f3pria legisla\u00e7\u00e3o. O trabalho avaliou o impacto de uma lei de 2017 que facilitou a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria de terras da Uni\u00e3o ocupadas na Amaz\u00f4nia. A justificativa era dar t\u00edtulo de terra para os mais pobres e reparar injusti\u00e7as hist\u00f3ricas com pessoas que ocuparam a regi\u00e3o ap\u00f3s chamado do governo federal na d\u00e9cada de 1970 e nunca tiveram sua situa\u00e7\u00e3o legalizada. Para ambientalistas, isso favoreceria grileiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAl\u00e9m de usar a terra de gra\u00e7a por muitos anos, grileiros podem compr\u00e1-la por pre\u00e7os abaixo do mercado\u201d, diz o pesquisador Paulo Barreto, da ONG Imazon, que conduziu o estudo. O trabalho avaliou perdas de receita que poderiam ocorrer com 32.490 terrenos \u2013 que somam 8,6 milh\u00f5es de hectares -, e j\u00e1 est\u00e3o no processo de receber o t\u00edtulo de terra. \u201cA perda de curto prazo varia de US$ 5 bilh\u00f5es (cerca de R$ 20,7 bilh\u00f5es) a US$ 8 bilh\u00f5es (R$ 33,2 bilh\u00f5es)\u201d, calcula. Isso tem potencial de aumentar ainda mais o desmate, acrescenta, uma vez que estimula ocupa\u00e7\u00f5es futuras com a esperan\u00e7a de regularizar a posse. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal\u00a0O Estado de S. Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Fonte: Canabrava FM<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Com informa\u00e7\u00f5es: Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Corrup\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o de quadrilha, trabalho escravo, viol\u00eancia, grilagem, roubo de madeira. 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