Prisão de Filipe Martins eleva para 23 o número de réus condenados na trama golpista

A prisão preventiva de Filipe Martins aumentou para 23 o total de condenados presos pela tentativa de golpe, incluindo ex-ministros e militares.
A recente prisão de Filipe Garcia Martins Pereira, ex-assessor internacional da Presidência da República, trouxe um novo capítulo para a história da tentativa de golpe de Estado no Brasil. Com a decisão, que aconteceu nesta sexta-feira (2), o número de pessoas condenadas e que agora estão presas por envolvimento na trama subiu para 23. Do total, 15 cumprem pena em regime fechado, enquanto outros oito estão em prisão domiciliar.
Martins já estava em prisão domiciliar desde o último sábado, mas acabou tendo a prisão decretada novamente pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O motivo? Ele desrespeitou as medidas cautelares impostas pela Corte ao acessar uma rede social, o que não era permitido.
A tentativa de golpe tinha como objetivo impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após as eleições de 2022, para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no cargo. O julgamento dessas ações pelo STF já resultou na condenação de 29 pessoas, mesmo que alguns casos ainda não tenham todas as etapas concluídas na Justiça. Essas decisões, no entanto, já tiveram consequências diretas, como prisões e outras medidas restritivas para os envolvidos.
As divisões da trama golpista
Para organizar as investigações e os julgamentos, o Supremo Tribunal Federal dividiu os envolvidos na tentativa de golpe em quatro grupos, chamados de “núcleos”. Cada um deles tinha um papel específico na trama.
Núcleo 1: O centro político
Considerado o coração do esquema golpista, este grupo reúne as principais lideranças. Veja a situação de alguns deles:
- Jair Bolsonaro (ex-presidente), Walter Braga Netto (ex-ministro), Almir Garnier (ex-ministro), Anderson Torres (ex-ministro) e Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro): cumprem pena em regime fechado.
- Augusto Heleno (ex-ministro): está em prisão domiciliar.
- Alexandre Ramagem (deputado federal e ex-diretor da Abin): é considerado foragido.
- Mauro Cid (ex-ajudante de ordens da Presidência): cumpre pena em regime aberto, com medidas restritivas impostas pela Justiça.
Núcleo 2: O estratégico
Formado por assessores presidenciais e líderes de órgãos de segurança, este grupo era responsável por ações mais estratégicas. Dentre eles, estão:
- Filipe Garcia Martins Pereira (ex-assessor internacional da Presidência), Marcelo Costa Câmara (coronel da reserva do Exército), Mário Fernandes (general da reserva) e Silvinei Vasques (ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal): cumprem pena em regime fechado.
- Marília Alencar (delegada da Polícia Federal e ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça): cumpre prisão domiciliar.
Núcleo 3: O apoio operacional
Este grupo é composto principalmente por oficiais do Exército e um agente da Polícia Federal, apontados como responsáveis pelo suporte operacional e logístico à tentativa de golpe.
- Hélio Ferreira Lima, Rafael Martins de Oliveira, Rodrigo Bezerra de Azevedo e Wladimir Matos Soares: cumprem pena em regime fechado.
- Bernardo Romão Corrêa Netto, Fabrício Moreira de Bastos e Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros: estão em prisão domiciliar.
- Márcio Nunes de Resende Jr. e Ronald Ferreira de Araújo Jr.: tiveram condenações, mas ainda aguardam a Justiça definir o regime de cumprimento da pena.
Núcleo 4: Mobilização e apoio externo
Reúne militares da reserva, agentes da Polícia Federal e civis que se envolveram em ações de mobilização e apoio à trama.
- Ângelo Denicoli, Guilherme Almeida e Ailton Moraes Barro: cumprem prisão domiciliar.
- Giancarlo Rodrigues e Marcelo Bormevet: estão presos em regime fechado.
- Carlos Cesar Moretzsohn Rocha (presidente do Instituto Voto Legal): é considerado foragido.
- Reginaldo Abreu: aguarda definição judicial sobre o regime de cumprimento da pena.
Fonte: Chico Sabe Tudo



