Jeremoabo BA é a única cidade do mundo onde a arara-azul-de-lear se reproduz

2.548 aves em um território protegido de 67 mil hectares no sertão baiano
No sertão da Bahia, Jeremoabo abriga parte do ambiente essencial da arara-azul-de-lear, espécie ameaçada que usa paredões de arenito para abrigo e reprodução. A APA Serra Branca / Raso da Catarina ocupa 67.234 hectares no município e protege uma paisagem de caatinga ligada à sobrevivência da ave no semiárido.
Por que Jeremoabo é tão importante para a arara-azul-de-lear?
A importância começa nos paredões. A arara-azul-de-lear usa cavidades em formações de arenito como abrigo e área de reprodução, e a região de Jeremoabo reúne ambientes desse tipo dentro do Raso da Catarina. Essa combinação torna o município estratégico para a conservação da espécie.
O ICMBio mantém programa de manejo para a arara-azul-de-lear, classificada como Em Perigo. O acompanhamento reúne ações de conservação, manejo populacional e proteção de uma ave cuja distribuição natural é muito restrita ao sertão baiano.
O que existe dentro da APA Serra Branca / Raso da Catarina?
A proteção territorial ajuda a entender aquele papel. A APA Serra Branca / Raso da Catarina tem 67.234 hectares e fica em Jeremoabo, numa das áreas mais secas da Bahia. A paisagem reúne caatinga, paredões rochosos e espécies adaptadas a longos períodos com pouca água.

O ambiente também depende do licuri, palmeira importante para a alimentação das araras. Conservar a vegetação e os pontos de abrigo protégé etapas diferentes da vida da espécie, desde a busca por alimento até o retorno aos paredões usados como dormitório e local de reprodução.
Como a conservação aparece no dia a dia da região?
Depois de entender o território, fica mais fácil perceber por que monitoramento e proteção precisam caminhar juntos. Contagens periódicas ajudam a acompanhar a população, enquanto o controle de áreas sensíveis reduz perturbações perto dos locais usados pelas aves para descanso e reprodução.
A visitação também exige cuidado. Paredões e áreas de nidificação não são atrações comuns, porque a presença humana sem controle pode interferir em locais importantes para a espécie. A observação responsável depende de regras, orientação e respeito às áreas definidas para conservação.
A seguir listamos 4 elementos essenciais para a arara-azul-de-lear que ajudam a explicar a importância ambiental da região:
Paredões de arenito: oferecem cavidades usadas pelas araras para abrigo e reprodução.
Licurizais: fornecem alimento importante para a espécie no ambiente semiárido.
Caatinga protegida: mantém a vegetação e a paisagem que sustentam diferentes etapas da vida das aves.
Monitoramento: acompanha a população e orienta medidas de conservação em áreas sensíveis.
Quais números resumem a importância de Jeremoabo?
Os dados ajudam a colocar a escala em perspectiva. São dezenas de milhares de hectares protegidos em uma região de clima semiárido, onde a conservação precisa considerar água escassa, vegetação de caatinga e a dependência da arara por recursos específicos do ambiente.
O município de Jeremoabo ocupa uma área muito maior que a unidade de conservação. Dentro desse território, a APA funciona como uma peça importante de proteção e conecta a identidade local a um dos programas de conservação de aves mais conhecidos do sertão.
O que essa relação ensina sobre a conservação da caatinga?
O caso mostra que proteger uma espécie exige proteger o ambiente inteiro. Paredões, licurizais, áreas de alimentação e rotas de voo fazem parte do mesmo sistema. Se uma dessas peças desaparece, a ave perde espaço mesmo que os ninhos permaneçam fisicamente intactos.
Por isso, Jeremoabo reúne conservação, caatinga e biodiversidade em uma relação direta. A arara-azul-de-lear chama atenção pela raridade, mas sua recuperação depende de uma paisagem inteira protegida e acompanhada por instituições, comunidades e ações contínuas no sertão baiano.
Observação: A única cidade do mundo onde a arara-azul-de-lear se reproduz: 2.548 aves em um território protegido de 67 mil hectares no sertão baiano (título original – www.em.com.br/emfoco)
Fonte: Jeremoabo.com.br



