Lula aceita condições de Flávio para abrir sigilos; veja as exigências

Aliado do presidente disse que ele protocolará documento no TSE nesta quinta-feira (22) com sua resposta ao adversário

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve protocolar, na manhã desta quinta-feira (22), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sua resposta favorável às exigências apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para a quebra simultânea de sigilos bancários, fiscais e telefônicos de ambos os candidatos à Presidência da República.

A posição do presidente diante das condições de seu adversário foi confirmada pelo senador Camilo Santana (PT-CE), que informou que o governo dará autorização para a abertura de todas as informações solicitadas pelo adversário, sob a condição de que Flávio também apresente a totalidade de seus dados.

Sobre a proposta de Flávio Bolsonaro, com algumas condicionantes, o presidente Lula não se opõe em nada, desde que Flavio apresente tudo também. –Camilo Santana

Veja as condições impostas por Flávio:

1. Quebra de sigilos de “Marcola” e assessores do gabinete

A petição de Flávio exige a apresentação de termos individuais de autorização assinados por Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, abrindo seus sigilos telefônico, telemático, bancário e fiscal dos últimos 8 anos. A exigência estende-se aos demais assessores, seguranças e auxiliares que atendiam ligações ou mantinham linhas telefônicas para uso do presidente.

O documento fundamenta o pedido citando reportagens de que Lula não usava celular próprio e apontando que Marcola teria recebido R$ 249 mil da empresária Roberta Luchsinger, investigada no caso do INSS.

2. Lava Jato, filhos, offshores, empresas e Instituto Lula

A petição rejeita o marco temporal de 2018 proposto por Lula e exige a abertura de contas desde 2003 (início do primeiro mandato presidencial). A exigência inclui os sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático das seguintes pessoas e entidades:

  • Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) e sua esposa Renata Moreira: Abertura de contas pessoais e das sociedades nacionais vinculadas a Lulinha (como G4 Entretenimento, BR4 Participações, Gamecorp S.A., LLF Participações e FFK Participações), citando repasses históricos da Telemar/Oi.
  • Empresas offshore no exterior: Liberação dos dados de sociedades no exterior, destacando a offshore Synapta, constituída em Madri em 2026.
  • Demais filhos do presidente: Abertura dos dados de Lurian, Marcos Cláudio, Sandro Luís e Luís Cláudio Lula da Silva, com menção à Flexbr Tecnologia e à LFT Marketing Esportivo (esta citada no contexto de investigações da Operação Zelotes).
  • Fernando Bittar e empresas: Abertura das contas das empresas TV Araras, Coskin Assessoria e M7 Produções, pertencentes ao sócio de Lulinha e titular formal do sítio de Atibaia.
  • Instituto Lula e Paulo Okamotto: Quebra do sigilo da diretoria da entidade e de seu ex-presidente, citando apurações passadas da Lava Jato e novos relatos surgidos na imprensa sobre a delação do Banco Master.

3. Transparência no caso Banco Master e Daniel Vorcaro

O terceiro bloco condiciona a abertura de dados a esclarecimentos sobre as apurações envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro. Flávio exige a liberação integral de:

  • Registros de entrada e saída de visitantes de Vorcaro na Superintendência da Polícia Federal em Brasília durante sua custódia;
  • Planos de voo e listas de passageiros da aeronave particular PS-FST, atribuída ao banqueiro, na semana de sua prisão em novembro de 2025;
  • Pauta, lista de participantes e registros da reunião presencial ocorrida no Palácio do Planalto em 4 de dezembro de 2024 entre Lula e Vorcaro;
  • Registros de entrada no Planalto de Vorcaro, de seus intermediários e do ex-ministro Guido Mantega, destacando reuniões com a chefia de gabinete;
  • Sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático dos últimos 8 anos de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, citado em matérias sobre supostas cobranças de percentuais em fundos de pensão.

4. Investigação sobre o escândalo de fraudes no INSS

A quarta condição envolve apurações sobre desvios no INSS investigados na Operação Sem Desconto:

  • Sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático dos últimos 8 anos da empresária Roberta Luchsinger, de sua empresa RL Consultoria e de Edson Claro, citado por declarar ter havido repasses de mesada a Lulinha;
  • Liberação de todos os registros de entrada de Roberta Luchsinger nos Palácios do Planalto e do Alvorada (2023-2026), lista de voos em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) e reuniões em órgãos federais;
  • Sigilos dos últimos 8 anos de José Ferreira da Silva (Frei Chico), irmão de Lula, e do sindicato SINDNAPI, do qual é vice-presidente, lembrando o bloqueio judicial de R$ 389 milhões sofrido pela entidade.

5. Cartão Corporativo, Janja e Alvorada

Por fim, a petição exige a derrubada de sigilos impostos pela própria administração pública federal:

  • Divulgação detalhada de todas as despesas efetuadas com o Cartão Corporativo da Presidência da República desde 1º de janeiro de 2023, citando dados do TCU de que mais de 99% desses gastos estavam reservados;
  • Liberação da agenda da primeira-dama Janja anterior a fevereiro de 2025;
  • Transparência sobre registros de visitas dos filhos do presidente ao Palácio do Alvorada, despesas da residência oficial e uso de helicópteros da FAB

A disputa pelos sigilos na reta final

O embate em torno da transparência patrimonial e de comunicações intensificou-se na reta final da campanha do segundo turno das eleições presidenciais. A proposta original de Lula previa a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico referente aos últimos oito anos, abrangendo familiares de ambos os candidatos e empresas associadas a Flávio.

Ao encaminhar ao TSE a autorização para abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, estendendo a medida a seis familiares e à sua empresa, Lula impôs uma condição: o documento estabelece expressamente que as informações só serão divulgadas ao público se e somente se o seu adversário Flávio fizer a mesma coisa.

O candidato do PL aceitou a proposta e impôs suas próprias condições: Flávio exigiu que Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete de Lula conhecido como Marcola, também tenha seus dados divulgado, assim como os dados do Instituto Lula e de cartões corporativos da Presidência da República.

Fonte: Band

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