União Europeia pede “respeito à vontade do povo venezuelano”

Declaração contou com o apoio de 26 dos 27 integrantes do bloco, com exceção da Hungria; países pediram “calma e contenção de todas as partes” e afirmam que Maduro não possui legitimidade democrática
Países da UE (União Europeia) afirmaram neste domingo (4) que a restauração da democracia na Venezuela passa pelo “respeito à vontade do povo venezuelano”. A declaração contou com o apoio de 26 dos 27 integrantes do bloco — com exceção da Hungria.
Em nota conjunta, os países da UE e a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, pediram “calma e contenção de todas as partes” para evitar uma escalada do conflito e garantir uma solução pacífica para a crise.
O respeito à vontade do povo venezuelano continua sendo o único caminho para que a Venezuela restaure a democracia e resolva a crise atual.Comunicado de países da União Europeia
Na declaração, a UE voltou a afirmar que Maduro não possui legitimidade democrática e defendeu uma transição política baseada na vontade popular.
A declaração ainda destacou que o bloco compartilha da preocupação com o combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas, mas ressaltou que essas questões devem ser enfrentadas por meio de cooperação internacional.
No sábado (3), a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, manifestou solidariedade ao povo venezuelano.
“Acompanhamos de perto a situação na Venezuela. Manifestamos nossa solidariedade ao povo venezuelano e apoiamos uma transição pacífica e democrática. Qualquer solução deve respeitar o direito internacional e a Carta da ONU”, escreveu ela no X.
Von der Leyen também afirmou estar em contato com os Estados-membro da União Europeia para garantir que os cidadãos do bloco econômico “possam contar com o apoio total” deles.
A representação da Hungria no bloco não comentou o motivo de não ter apoiado a declaração conjunta. Nicolás Maduro está detido em um centro de custódia em Nova York e deve comparecer à Justiça nesta segunda-feira (5), às 14h, no horário de Brasília.
Reação de líderes mundiais
A captura de Maduro pelos EUA gerou manifestações de diversos países por todo o mundo, tanto condenando quanto apoiando a operação militar americana.
O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva repudiou o ataque. Pelas redes sociais, Lula disse que o país norte-americano cometeu “afronta gravíssima” e ultrapassou uma “linha inaceitável”.
A Coreia do Norte denunciou os ataques dos EUA à Venezuela, afirmando que o ato é “a forma mais grave de violação da soberania”, informou a agência de notícias estatal KCNA neste domingo (4).
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, afirmou neste sábado (3) que a ação dos Estados Unidos contrariou os princípios do direito internacional. Barrot disse que a França reitera que nenhuma solução política duradoura pode ser imposta de fora e que somente os povos soberanos podem decidir o próprio futuro.
Por outro lado, o presidente da Argentina, Javier Milei, comemorou a prisão de Maduro, publicando na rede social X: “A liberdade avança”. Ainda, os governos do Equador e da Argentina anunciaram que vão proibir a entrada de pessoas ligadas ao regime de Nicolás Maduro nos respectivos territórios.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) realizará uma reunião de emergência na segunda-feira (5), às 12h, sobre a operação dos EUA contra a Venezuela, informou a presidência do Conselho neste sábado.
Fonte: CNN



