Quando o Alerta é ignorado, a chuva cobra a conta. Por Política e Bastidores!

Em política, quase nada é surpresa. Quando a imprensa local alerta, quando há provocação ao Ministério Público e quando moradores apontam riscos evidentes, não se pode dizer que foi “fatalidade”. Foi escolha. Foi silêncio. Foi vista grossa.

O que se viu às margens do açude de Ribeira do Pombal foi a construção de um empreendimento residencial avançando sobre área sensível, com aterramento, interferência no curso natural das águas e questionamentos públicos que nunca receberam respostas claras. Alertas foram feitos. Denúncias circularam. O debate existiu. Mas o poder público preferiu o conforto da omissão.
O @portal_alerta publicou ampla reportagem à época, detalhando os riscos, exibindo imagens, ouvindo moradores e chamando formalmente a atenção da Prefeitura e do Ministério Público para o que poderia acontecer. Segundo o próprio veículo noticiou, além da ausência de providências efetivas, houve relatos de que entulhos teriam sido levados para a área do empreendimento, pela própria prefeitura, tornando o cenário ainda mais preocupante.
Enquanto isso, segue o aterramento das margens, como se o açude fosse apenas um detalhe paisagístico e não um sistema vivo que depende da sua calha livre para cumprir a função de drenagem. O mais irônico (ou trágico) é que anos atrás foram investidos cerca de R$ 16 milhões na limpeza da calha do açude, justamente para melhorar o escoamento e evitar alagamentos. Se a ocupação irregular e o avanço com aterros continuarem, as próximas chuvas podem simplesmente anular esse trabalho milionário, jogando dinheiro público e planejamento por água abaixo.
Veio a chuva. E a chuva não negocia com interesse político nem empresarial. As águas seguiram o caminho que sempre seguiram, só que agora encontraram barreiras artificiais, fluxo interrompido e solo alterado. A fatura chegou: casas destruídas, estruturas cedendo e famílias vendo seu patrimônio ruir. Como quase sempre acontece, quem paga o preço é o mais vulnerável.
Resta saber se haverá apuração e revisão das licenças ou se tudo será resumido, mais uma vez, a um conveniente “evento climático extremo”.



