Operadora do INSS pagou R$ 4 milhões a Stefanutto, diz Polícia Federal

Alessandro Stefanutto é suspeito de beneficiar entidades que descontavam valores de aposentados; decisão de André Mendonça cita pagamentos de advogada
A Polícia Federal aponta que o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, recebeu R$ 4 milhões em propinas pagas pela advogada Cecília Rodrigues Motta. A investigação, que corre no Supremo Tribunal Federal (STF), indica que os valores seriam uma contrapartida para beneficiar entidades suspeitas de realizar descontos fraudulentos diretamente na folha de pagamento de aposentados.

As informações constam na decisão do ministro André Mendonça, que autorizou a prisão de Cecília no âmbito da Operação Sem Desconto. A ofensiva apura um esquema que teria gerado prejuízos de R$ 6,2 bilhões contra a previdência social.
De acordo com o magistrado, a quebra de sigilo de dados do telefone da advogada revelou comprovantes de pagamentos, além de reservas de passagens aéreas e hospedagens em nome de Gilmar Stelo, identificado como assessor direto de Stefanutto.
Operadores e o esquema de cooperação técnica
Gilmar Stelo já é um personagem monitorado pela Polícia Federal. Advogado com base no Rio Grande do Sul, ele é apontado como o suposto operador financeiro de propinas enviadas por outra entidade, a Conafer, para Stefanutto. O ex-presidente do INSS comandou o órgão até abril de 2025, quando foi afastado por decisão judicial e, posteriormente, preso durante as fases da Operação Sem Desconto.
O papel de Cecília Motta no esquema era o de intermediar acordos de cooperação técnica entre associações e o INSS. Esses acordos permitiam que as entidades fizessem descontos mensais nos benefícios previdenciários em troca da oferta de serviços e seguros. No entanto, a Polícia Federal identificou que as filiações eram frequentemente baseadas em fraudes de assinaturas e manipulação de biometria das vítimas, que não autorizavam as cobranças.
Influência política e credenciamento de entidades
A investigação também alcança a esfera parlamentar. A deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB) é suspeita de atuar junto a Alessandro Stefanutto para viabilizar interesses do grupo criminoso. Segundo a decisão do ministro André Mendonça, a parlamentar mantinha contato frequente com servidores do instituto para agilizar o credenciamento e a ativação de associações com as quais possuía relação direta.
Em troca dessa influência política e administrativa, a deputada teria recebido pagamentos de propina de Cecília Motta. O caso segue sob análise do STF devido ao foro por prerrogativa de função, enquanto a Polícia Federal busca identificar outros beneficiários do esquema que operava no núcleo do sistema previdenciário brasileiro.
Fonte: Band
Com informações do Estadão Conteúdo



