PF encontra tabela de propinas e repasse de quase R$ 800 mil para deputada

Operação Indébito investiga esquema de descontos ilegais em aposentadorias do INSS; parlamentar é suspeita de receber R$ 780 mil em propinas

Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (17), a Operação Indébito, um desdobramento da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema criminoso de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS. 

Entre os principais alvos está a deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE). Durante as investigações, os agentes encontraram uma “tabela de pagamento de propinas” na qual o nome da parlamentar aparece como destinatária de um repasse de R$ 780 mil.

Embora a PF tenha solicitado a prisão preventiva da deputada, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), optou por impor medidas cautelares diversas. Gorete Pereira terá de utilizar tornozeleira eletrônica, está proibida de manter contato com outros investigados e não pode frequentar as sedes do INSS, da Dataprev ou das associações envolvidas no esquema. O ministro justificou a decisão com base no estatuto dos congressistas, buscando preservar o exercício do mandato, mas garantindo a ordem pública.

Estrutura do esquema e o papel da parlamentar

Segundo o inquérito da Polícia Federal, Gorete Pereira utilizava sua influência política para viabilizar acordos fraudulentos entre associações e o INSS. A investigação aponta que ela pressionava servidores públicos para acelerar processos de ativação de entidades que, posteriormente, realizavam descontos indevidos nos benefícios de milhares de segurados. Mensagens interceptadas revelam que a deputada teria chegado a exigir 70% dos ganhos de uma das entidades e solicitava que os pagamentos de propina fossem feitos de forma direta, tentando evitar a intermediação de escritórios de advocacia.

A rede criminosa era liderada, segundo a PF, pelo empresário Natjo de Lima Pinheiro, responsável pela gestão financeira e pagamento sistemático de propinas, e pela advogada Cecília Rodrigues Mota, que conferia aparência de legalidade às fraudes. Ambos tiveram a prisão preventiva decretada pelo ministro André Mendonça. A investigação também atingiu a cúpula do INSS, revelando repasses de cerca de R$ 4 milhões ao ex-presidente da autarquia, Alessandro Stefanutto, provenientes de contas ligadas ao esquema.

Lavagem de dinheiro e bens de luxo

As evidências colhidas pela Polícia Federal indicam que a deputada e seus familiares utilizavam empresas de fachada para lavar o dinheiro obtido ilicitamente. A PF cita nominalmente empresas como a SOP Processamento de Dados Ltda, administrada por uma sobrinha de Gorete. 

O rastreamento bancário revelou que um apartamento de luxo, avaliado em R$ 4,43 milhões, foi adquirido em nome dessa empresa, mas com pagamentos saindo diretamente da conta da parlamentar. Documentos de reformas no imóvel identificavam “Gorete” como a cliente contratante. Além do imóvel, a investigação aponta a compra de um veículo de luxo superior a R$ 400 mil com recursos subtraídos de aposentados.

Fonte: Band  

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