Morte de “Sicário” em carceragem mobiliza perícias e amplia investigação

Cinco laudos técnicos, incluindo exames do IML e análises da Polícia Federal, buscam esclarecer as circunstâncias da morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro

morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” e apontado como um dos auxiliares do banqueiro Daniel Vorcaro segue cercada de questionamentos e sob investigação detalhada.

O caso ganhou novos desdobramentos com a abertura de uma série de perícias técnicas consideradas fundamentais para esclarecer o que aconteceu dentro da área de custódia da Polícia Federal em Minas Gerais. De acordo com o inquérito policial, cinco laudos periciais foram solicitados. A estratégia, segundo investigadores, é garantir rigor técnico e transparência na apuração.

Duas dessas análises estão sob responsabilidade do Instituto Médico Legal da Polícia Civil de Minas Gerais. São elas o laudo necroscópico e o exame toxicológico, que vai analisar amostras de sangue e urina. Até agora, nenhum dos dois foi concluído.

O médico legista responsável solicitou, inclusive, o compartilhamento de imagens com outros especialistas para que possam ajudar na elaboração do laudo de necropsia. O pedido foi formalizado recentemente e deverá ser encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

Outros três exames estão sendo conduzidos por Peritos Criminais Federais. Um deles analisa o local da morte, com base em imagens de câmeras de segurança. O outro se debruça sobre as roupas usadas pelo detento no momento do ocorrido.  Segundo informações preliminares, essa análise não identificou a presença de substâncias entorpecentes nas vestimentas.

Outro ponto da investigação é o laudo do celular usado no plantão da Polícia Federal, permitido pela Constituição para contato com família e advogado. Segundo a análise, ao chegar na sede da PF, “Sicário” realizou várias ligações — para a mãe, a irmã e uma terceira pessoa ainda não identificada.

A Polícia Federal tem convicção de que se trata de um caso de suicídio por enforcamento. Ainda assim, a apuração busca eliminar qualquer dúvida. A análise minuciosa das imagens e do ambiente onde ele estava é considerada decisiva.

Além das perícias, agentes  já começaram a ouvir pessoas que tiveram contato com o preso nas horas que antecederam a morte — tanto presencialmente quanto por telefone. Os depoimentos devem ajudar a reconstruir a cronologia dos últimos momentos de “Sicário”.

O termo “sicário” é usado para definir um assassino contratado, um matador de aluguel. Mourão foi levado para uma cela isolada cerca de uma hora e meia após ser interrogado no âmbito da Operação Compliance Zero, no dia 4 de março. No local, ele aguardava transferência para a Justiça Federal, onde participaria de audiência de custódia.

Segundo a investigação, foi nesse intervalo que ele cometeu suicídio. Socorrido, Mourão chegou a ser levado ao hospital, mas morreu dois dias depois. Agora, a conclusão dos laudos e a análise das imagens serão determinantes para esclarecer, de forma definitiva, as circunstâncias da morte.

Fonte: Band

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