Mesmo preso há seis meses, Binho Galinha já custou quase R$ 500 mil aos cofres da Alba

Acusado pela Operação El Patrón de chefiar milícia na região de Feira de Santana, deputado continua recebendo salário e mordomias pagas com verbas públicas

Preso preventivamente desde 3 de outubro de 2025 sob a acusação de chefiar uma milícia especializada em extorsão, agiotagem, receptação de mercadoria roubada e lavagem de dinheiro do jogo do bicho na região de Feira de Santana, o deputado estadual Binho Galinha continua custando caro aos cofres públicos, mesmo atrás das grades e sem exercer qualquer atividade parlamentar. Levantamento feito pela Metropolítica junto ao portal de transparência da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) revela que, entre 3 de outubro, quando se entregou à Polícia Federal,  e a última terça-feira (31), o deputado já consumiu do erário pelo menos R$ 435 mil nos últimos seis meses.

Bolo dividido
A maior parte da soma se refere a gastos custeados pela chamada verba indenizatória, também  conhecida como cotão, repasse feito mensalmente pela Alba para bancar despesas relativas ao exercício do mandato. No total, Binho Galinha foi indenizado em aproximadamente R$ 225 mil. Além de pagar por prováveis serviços prestados para um deputado que se encontra preso durante o período analisado pela coluna, chama atenção o fato de que as verbas tiveram como destinatários apenas duas empresas.

Divulgar o quê?
De acordo com a página de transparência da Assembleia, a maior beneficiária da verba indenizatória repassada ao deputado foi a Editora Pipa, sediada no bairro dos Capuchinhos, em Feira de Santana, principal reduto do parlamentar. Ao todo, a Pipa recebeu R$ 141.100 do caixa da Alba. As notas fiscais lançadas no sistema da casa apontam como razão dos pagamentos a prestação de serviços de marketing direto para divulgar o mandato de Binho Galinho, por meio de material gráfico impresso. 

Assessorar quem?
O restante dos recursos destinados por meio do cotão foram dirigidos ao escritório Juliana Pinheiro Sociedade Individual de Advocacia, segundo a Receita Federal, instalado no bairro de Pitangueiras, periferia de Lauro de Freitas. As notas fiscais apontam como justificativa para o repasse “serviços de suporte ao mandato parlamentar”, sem especificar de que natureza. No site da Alba, os pagamentos são descritos como contraprestação por assessoria ou consultoria.

Mesada no cárcere
Os outros R$ 210 mil são referentes à remuneração mensal bruta de cerca de R$ 35 mil, valor dos salários pagos aos 63 deputados estaduais. Como não foi cassado, apenas teve a prisão confirmada pelo plenário da Alba, Binho Galinha continua com direito a todos os benefícios inerentes ao cargo. 

Menos é mais
O custo pela permanência dele como  integrante da Assembleia, no entanto, é muito maior, já que a conta não inclui o que recebem cada um dos mais de dez assessores e secretários parlamentares nomeados por Binho Galinha para bater ponto em seu gabinete, ainda que ele esteja ausente por quase 180 dias do Legislativo estadual.

A todo vapor
Embora ocupe uma cela no Centro de Observação Penal (COP), unidade instalada no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador, Binho Galinha mantém atividades políticas. Segundo informa o portal da Alba, o parlamentar ingressou este ano no Avante, partido comandado na Bahia pelo ex-deputado federal Ronaldo Carletto. Eleito pelo Patriota em 2022. A sigla acabou se fundindo ao PTB para formar o PRD, sigla à qual pertencia quando foi preso. A mudança, de acordo com informações de bastidores, diz rspeito à uma provável candidatura à reeleição.

Para relembrar
Alvo da Operação El Patrón, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2023 para investigar dezenas de crimes atribuídos a uma milícia supostamente liderada por ele, Binho Galinha teve a prisão decretada  pela Justiça em 1º de outubro de 2025. Somente após dois dias e já considerado foragido, o deputado resolveu se entregar.

Fonte: Metro1

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