Governo propõe cooperação ao FBI contra facções

Proposta inclui colaboração com FBI e CIA para barrar classificação que pode gerar sanções econômicas e intervenções militares no país

O governo brasileiro articula uma série de propostas de cooperação com o FBI e o governo dos Estados Unidos para impedir que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) sejam classificados como organizações terroristas. A gestão federal busca paralisar possíveis anúncios de Washington até a reunião entre os presidentes Lula e Donald Trump. O principal receio das autoridades brasileiras é que tal designação abra caminho para sanções econômicas severas ou até ações militares americanas em território nacional.
A ofensiva diplomática e de segurança ocorre após o governo de Donald Trump classificar, desde o ano passado, 12 grupos criminosos como terroristas, incluindo cartéis mexicanos, colombianos e venezuelanos. Em janeiro, forças americanas invadiram a Venezuela para prender o ditador Nicolás Maduro, sob a acusação de liderar um cartel de traficantes.
No Mar do Caribe, mais de 100 embarcações venezuelanas foram bombardeadas em operações que os Estados Unidos classificam como combate ao narcotráfico.
Estratégia de cooperação e inteligência
Como alternativa à classificação de terrorismo, o Brasil propõe o aprofundamento da colaboração com órgãos de inteligência americanos. O plano detalhado pelo repórter Caiã Messina inclui a troca de informações estratégica, o congelamento de ativos financeiros vinculados ao narcotráfico e o trabalho conjunto com a CIA no monitoramento e investigação das facções.
O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, autoridade no combate ao PCC, conversou com assessores do secretário de Estado americano, Marco Rubio. Na ocasião, Gakiya pontuou que a medida de classificar os grupos brasileiros como terroristas não traria benefícios práticos efetivos ao combate direto contra essas organizações.
Articulação regional na América Latina
A linha de atuação adotada por Lula é resultado de conversas mantidas com os presidentes da Colômbia, Gustavo Petro, e do México, Claudia Sheinbaum. Ambos os países já enfrentaram o cenário de ter facções locais consideradas terroristas pelos Estados Unidos. O governo brasileiro pretende ampliar essa discussão para a Cúpula dos Países Latino-Americanos e Caribenhos, prevista para o dia 21 de março, em Bogotá.
Atualmente, o PCC e o Comando Vermelho movimentam bilhões de reais anualmente e são responsáveis por uma escalada de violência que ultrapassa as fronteiras brasileiras, tornando-se uma preocupação internacional de segurança pública.
O objetivo do Itamaraty é garantir que o enfrentamento a esses grupos permaneça sob a ótica da segurança pública e cooperação policial, evitando a escalada para o status de conflito internacional ou alvo de doutrinas antiterrorismo americanas.
Fonte: Band



