“QI”? Escândalos em presídios baianos alertam para fragilidade do Sistema Prisional

Nos últimos dias uma delação premiada colocou o Sistema Prisional da Bahia no centro de um escândalo que envolve políticos e o crime organizado. A delação aponta o cometimento de crimes, desde facilitação na fuga de presos (o que deu origem às investigações), até homicídios, que teriam sido cometidos diante dos olhos daqueles que deveriam proteger os interesses da população.
O caso passou ganhou notoriedade em dezembro de 2024, quando 16 detentos, entre eles Ednaldo Pereira Souza (Dada), fugiram do presídio de Eunápolis-BA. “Dada” é considerado chefe de uma facção criminosa, e foi condenado a 68 anos de prisão por homicídio e tráfico de drogas.
A fuga aconteceu meses após Joneuma Silva Neres assumir a direção do presídio, que segundo a delação da própria Policial Penal, fruto da indicação do ex-deputado Federal Uldorico Junior, na época filiado ao MDB, partido que seria responsável pelas indiciações, e que tem como líder no estado o ex-ministro Geddel Vieira Lima.

Com a influência política, e o poder de indicação para direção, Uldorico teria conseguido que as portas do presídio fossem abertas, literalmente, tanto para entrar, quanto para os presos saírem durante a fuga em questão. Foi assim que o deputado teria negociado a liberdade dos presos, por um valor de R$ 2 milhões, que teriam sido recebidos por Uldorico e Geddel. O ex-deputado se encontra preso, enquanto o ex-ministro está sendo investigado, de acordo com o Ministério Público.
Ainda durante a delação em questão, a ex-diretora teria relatado que havia um esquema de negociação de votos envolvendo presos e políticos. Outro caso que também está sendo investigado é a participação de Joneuma no sequestro e homicídio de um jovem que teria chamado a então diretora de “miliciana”.
Diante do exposto, o escândalo envolvendo a fuga de presos não revelou apenas um esquema de corrupção, mas também a fragilidade do Sistema após o estado conceder órgãos importantes da Segurança Pública à Partidos Políticos sem a devida análise técnica.
Diretores criminosos
Outro diretor de presídio que teve o seu nome envolvido em autoria de crime, foi Tiago Sóstenes de Matos, que ainda então diretor do Presídio de Paulo Afonso, assassinou a tiros a empresária Flávia Barros Santos, na época com 38 anos, em 22 de abril do corrente ano, em Aracaju-SE. Após o assassinato, Tiago teria tentado suicídio, porém sem sucesso, e atualmente se encontra preso.
Embora no caso de Jonelma já tenha ficado claro, com base em sua própria delação, de que a direção do Presídio se deu através da influência política, não é possível afirmar que o mesmo aconteceu com Tiago. Mas tem um caso que que já estava caindo no esquecimento com o passar do tempo, mas que assim como os anteriores também precisa ser esclarecido: é o caso da nomeação do ex-detento Sátiro Sousa Cerqueira Junior, para dirigir o Presídio de Salvador, que faz parte do Complexo Penitenciário da Mata Escura, onde Sátiro ficou preso após tentativa de homicídio contra o próprio vizinho cinco anos antes de ser nomeado. Com a repercussão negativa na época, o governo da Bahia anulou a nomeação do ex-detento, e mais uma vez o Sistema Prisional se revelou frágil, deixando claro que não existe critério técnico, porém deixa uma dúvida em relação aos diretores dos presídios responsáveis pela custódia dos diversos criminosos presos no estado: Quem os indicou?
Redação: Portal Alerta



