Democratas conquistam maioria no Congresso dos EUA e impõem derrota histórica a Trump

Partido chega a 54 cadeiras no Senado e lidera a disputa pela Câmara; resultado também marca eleições inéditas para mulheres, negros, indígenas e representantes da comunidade LGBTQIA+
O Partido Democrata conquistou a maioria nas duas casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições legislativas de meio de mandato, realizadas na terça-feira (3). O resultado representa uma derrota histórica para o presidente republicano Donald Trump, que terá de negociar com a oposição para aprovar propostas no Legislativo.
No Senado, os democratas chegaram a 54 das 100 cadeiras, com 20 senadores eleitos, sete deles em disputas nas quais conseguiram virar o resultado. Os republicanos somavam 44 assentos até a última atualização, enquanto as disputas no Mississippi e no Alasca ainda estavam pendentes.
Na Câmara dos Deputados, os democratas conquistaram 228 cadeiras, um avanço de 25 em relação à composição anterior. Os republicanos tinham 139 assentos, também com perda de 25. Outros 68 resultados ainda aguardam definição até o momento desta publicação.
A Câmara americana tem 435 cadeiras, renovadas integralmente a cada dois anos. Para obter maioria absoluta, um partido precisa conquistar ao menos 218 assentos. No Senado, 35 das 100 vagas estavam em disputa nesta eleição.
Já nos governos estaduais, os democratas ficaram com 28 cadeiras, conquistando cinco novas e os republicanos com 20 cadeiras.
Alasca pode ampliar derrota republicana
Um dos resultados ainda pendentes é o Alasca, estado tradicionalmente republicano. O republicano Dan S. Sullivan aparece à frente por uma margem apertada. A disputa ganhou atenção em meio ao aumento do custo de vida no estado: cerca de 95% dos alimentos consumidos no Alasca vêm de outras regiões, principalmente por transporte marítimo. Desde fevereiro de 2026, quando o governo Trump iniciou a guerra contra o Irã, o preço do diesel subiu 70%, com impacto também no custo do frete repassado aos consumidores.
Trump admite derrota e promete negociar com democratas
Após a confirmação da maioria democrata nas duas Casas, Trump afirmou, em entrevista ao jornal The New York Times, que aceitará o resultado e buscará trabalhar com a oposição. “Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados. Vamos trabalhar com os democratas e esperamos colaborar com eles. Provavelmente chegaremos a algum entendimento”, declarou.
O presidente também sinalizou que poderá vetar propostas da oposição. Após os primeiros resultados negativos para seu partido, publicou a imagem de um boné vermelho com a palavra “veto”.
Como fica a disputa nos estados com maior presença de brasileiros
Entre os estados americanos com maior concentração de brasileiros estão Flórida, Massachusetts e Califórnia. Os resultados eleitorais nessas regiões também definiram disputas para o Senado, a Câmara e os governos estaduais.
- Flórida: a republicana Ashley Moody venceu a disputa pelo Senado. Na Câmara dos Deputados, o estado elegeu 16 republicanos e sete democratas. Byron Donalds, do Partido Republicano, venceu a disputa para governador.
- Massachusetts: a democrata Maura Healey venceu a eleição para governadora. Na Câmara, foram eleitos nove democratas e nenhum republicano até a última atualização. O democrata Edward J. Markey também venceu a disputa pelo Senado.
- Califórnia: o estado não teve disputa para o Senado. Na Câmara, os democratas conquistaram 44 cadeiras, contra três dos republicanos. Para o governo estadual, o democrata Xavier Becerra venceu e se tornou o primeiro latino eleito para o cargo na Califórnia.
Eleições registram conquistas históricas
As eleições também foram marcadas por resultados inéditos. Em New Hampshire, Chris Pappas se tornou o primeiro homem assumidamente gay eleito para o Senado. Na Geórgia, Keisha Lance Bottoms será a primeira mulher negra a governar o estado, enquanto Deb Haaland será a primeira governadora indígena dos Estados Unidos, no Novo México.
Na Flórida, Byron Donalds será o primeiro governador negro. No Texas, Gina Hinojosa se tornou a primeira latina eleita para comandar o estado. Já em Wisconsin, David Crowley será o primeiro homem negro a governar a região em 178 anos.
O democrata James Talarico também venceu a disputa pelo Senado no Texas, estado tradicionalmente conservador, onde o último democrata eleito para a cadeira foi Lloyd Bentsen, em 1988. Talarico, deputado estadual desde 2018 e ex-professor da rede pública, derrotou o republicano Ken Paxton.
A eleição também garantiu uma conquista inédita para o brasileiro Felipe Sousa-Lazaballet, de 40 anos. Nascido em Duque de Caxias (RJ), ele foi eleito deputado estadual na Flórida pelo Partido Democrata e será o primeiro brasileiro a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa do estado, além do primeiro imigrante abertamente gay eleito para a legislatura estadual.
Fonte: Metro1



