Irã nomeia Alireza Arafi como líder supremo do país após morte de Khamenei

Clérigo passa a integrar colegiado que exercerá funções do líder supremo até que a Assembleia de Peritos escolha o sucessor definitivo de Ali Khamenei

O Irã anunciou neste domingo (1º) a nomeação do aiatolá Alireza Arafi para integrar o conselho de liderança interino que assumirá as funções de chefe de Estado após a morte de Ali Khamenei, confirmada no sábado (28) depois de ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel.

A indicação foi divulgada pelo porta-voz do Conselho de Discernimento do Interesse do Momento — órgão de arbitragem política do regime — em publicação na rede X. Pela Constituição iraniana, um colegiado de três integrantes passa a exercer temporariamente as atribuições do líder supremo até que a Assembleia dos Peritos eleja um sucessor de forma oficial.

Além de Arafi, o grupo é composto pelo presidente do país, Masoud Pezeshkian, e pelo chefe do Judiciário, o clérigo conservador Gholam-Hossein Mohseni-Ejei. O trio ficará responsável por conduzir o país até que o novo líder supremo seja definido.

Transição em meio à guerra

Arafi, de 67 anos, é membro do Conselho dos Guardiães, órgão que supervisiona leis e participa do processo de validação de candidaturas e decisões estratégicas no país. Sua entrada no conselho interino ocorre em um momento de forte instabilidade, com o Irã sob ataques e prometendo retaliação.

A sucessão é considerada delicada. Khamenei estava no poder desde 1989, dois anos após a Revolução Islâmica iniciada em 1979 sob liderança do aiatolá Ruhollah Khomeini. Ao longo de quase quatro décadas, consolidou controle sobre as Forças Armadas, a política externa e as principais diretrizes do regime.

Substituir uma figura que concentrou tanto poder representa desafio político e religioso significativo, especialmente em meio a uma escalada militar sem precedentes.

Novo comando na Guarda Revolucionária

A reorganização da cúpula do poder também atinge a estrutura militar. A Guarda Revolucionária Islâmica anunciou a nomeação de Ahmad Vahidi como novo comandante, após a morte do antecessor nos bombardeios de sábado.

A Guarda Revolucionária é uma das instituições mais influentes do Irã, atuando de forma paralela ao Exército regular e exercendo papel central tanto na política interna quanto nas operações externas do país.

Escalada regional e reações

A morte de Khamenei e a formação do conselho interino ocorrem em meio à ampliação do conflito. O presidente Masoud Pezeshkian classificou o assassinato do líder supremo como uma “declaração de guerra” e prometeu “vingança legítima”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os ataques continuarão “pelo tempo que for necessário”, enquanto o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que a operação atingiu alvos estratégicos do regime iraniano.

No campo militar, o Catar informou que 16 civis ficaram feridos após a interceptação de dezenas de mísseis e drones lançados pelo Irã. Israel voltou a bombardear áreas de Teerã, incluindo regiões próximas ao aeroporto da capital.

Protestos também foram registrados no Paquistão e no Iraque, com manifestações diante de representações diplomáticas americanas.

Próximos passos

Enquanto o país observa 40 dias de luto oficial, a expectativa recai sobre a Assembleia dos Peritos, responsável por escolher o novo líder supremo. A definição será determinante para o rumo político e militar do Irã.

Até lá, o conselho interino liderado por Alireza Arafi terá a missão de conduzir o país em um dos momentos mais críticos desde a Revolução Islâmica, sob pressão interna e externa e com o equilíbrio de poder ainda em aberto.

Fonte: Band.com.br

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