PF investiga ilha de R$ 20 milhões ligada a Daniel Vorcaro e ex-sócio

Propriedade na Baía de Todos os Santos teria sido adquirida por fundos ligados a Augusto Lima; Forças Armadas romperam convênios milionários com o banco
A investigação sobre o patrimônio do banqueiro Daniel Vorcaro avançou para o litoral baiano, onde a Polícia Federal busca identificar os reais proprietários da Ilha da Paixão, antiga Ilha do Topete. Localizada na Baía de Todos os Santos, a cerca de uma hora de Salvador, a propriedade de 10 mil metros quadrados conta com infraestrutura de luxo, incluindo píer para iates e piscinas, sendo avaliada em aproximadamente R$ 20 milhões.
Segundo informações encaminhadas à CPI do Crime Organizado, a ilha foi adquirida por fundos vinculados ao empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master e apontado pela Polícia Federal como o braço direito de Vorcaro. Lima chegou a ser preso por 11 dias durante a primeira fase da Operação Compliance Zero e, atualmente, cumpre liberdade assistida sob monitoramento de tornozeleira eletrônica.

Negócios com o Credcesta e convênios militares
A parceria entre Vorcaro e Augusto Lima impulsionou os negócios do Banco Master por meio do Credcesta, um cartão de pagamentos com desconto em folha destinado a servidores públicos da Bahia. A expansão da instituição também alcançou a esfera federal em Brasília, onde o banco firmou convênios para empréstimos consignados com as Forças Armadas.
Dados do Portal da Transparência indicam que, entre 2020 e 2026, Exército, Marinha e Aeronáutica repassaram cerca de R$ 137 milhões ao Banco Master. O montante refere-se aos valores descontados diretamente nos contracheques de militares que contrataram os empréstimos.
Rompimento de contratos e indícios de lavagem de dinheiro
Após a liquidação da instituição financeira, as Forças Armadas anunciaram o encerramento dos vínculos. Em nota, o Exército informou a extinção de 18 convênios com o Master, ressaltando que os recursos pertencem aos servidores e não impactam o orçamento público. A Aeronáutica confirmou que interrompeu novas transferências, enquanto a Marinha ainda não enviou posicionamento oficial.
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) elaborou um relatório de inteligência apontando que determinadas transferências realizadas pelo grupo podem ter sido estruturadas para facilitar a lavagem de dinheiro. Até o momento, a defesa de Daniel Vorcaro não se pronunciou sobre o avanço das investigações ou sobre o relatório do Coaf.
Fonte: Band



