Clínica clandestina é fechada na Bahia após denúncias de tortura e morte

Gerente do local foi preso em Candeias durante resgate de 39 internos; investigação começou após desaparecimento de funcionário
Uma clínica clandestina de reabilitação para dependentes químicos foi fechada pela polícia no município de Candeias, na Região Metropolitana de Salvador (BA). A ação ocorreu após denúncias de tortura, maus-tratos e cárcere privado praticados contra os pacientes do local. Durante a operação, 39 internos foram resgatados e encaminhados para o exame de corpo de delito.

Em depoimentos às autoridades, vítimas relataram agressões físicas em um espaço isolado no estabelecimento apelidado ironicamente de “quartinho do amor”. Um dos acolhidos, que preferiu não se identificar, descreveu agressões frequentes, que incluíam golpes nas mãos dos internos com utensílios domésticos. Familiares das vítimas pagavam até R$ 1.300 mensais na expectativa do tratamento e reabilitação dos parentes.
Gerente é preso e dono é procurado
O gerente do estabelecimento, Charles Vinícius Souza da Silva Almeida, foi preso em flagrante sob acusação de tortura e maus-tratos. Ele é apontado pelas investigações como o braço direito do proprietário da clínica, Moisés Jesus Leal.
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, Moisés não foi localizado pelas equipes policiais e segue sendo procurado.
Mortes e falta de alvarás motivaram investigação
As apurações policiais tiveram início há pouco mais de dois meses, impulsionadas pelo desaparecimento de um motorista que prestava serviços para o estabelecimento. O corpo do funcionário foi posteriormente encontrado carbonizado em uma área de mata no município de Camaçari.
Outro caso suspeito investigado foi a morte de um paciente que sofreu graves queimaduras na estrutura no final do ano passado. Ele permaneceu internado por cinco meses, mas acabou não resistindo em maio deste ano. Os dois episódios levantaram alertas para o monitoramento e fiscalização da rotina no espaço.
Segundo a Polícia Civil, ficou constatado que a clínica adotava práticas recorrentes de tortura e manutenção de indivíduos em cárcere privado. O local funcionava há mais de dois anos sem alvará do Corpo de Bombeiros nem autorização da Vigilância Sanitária.
Fonte: Band



