Terreno de Jaques Wagner valorizou 11.400% após obra de gestão do petista

Ex-líder do governo Lula no Senado tentou vender propriedade na Bahia por R$ 15 milhões e foi barrado pelo STF; ele nega relação entre construção e valorização da propriedade
O terreno do senador Jaques Wagner (PT-BA) em Camaçari, na Bahia, valorizou 115 vezes em 26 anos — ou seja, 11.400%. O período coincide com a construção da Via Metropolitana Camaçari, inaugurada em 19 de junho de 2018, projetada durante a gestão do parlamentar no governo baiano.
As informações foram publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmadas pela CNN Brasil por meio de documentos.

O parlamentar comprou o terreno em 20 de março de 2000 por R$ 28 mil, cujo valor corrigido pela inflação é de R$ 133,8 mil.
No mês passado, Jaques tentou vender o local por R$ 15 milhões um dia após ser alvo de uma operação da PF (Polícia Federal), relacionada ao caso do extinto Banco Master.
A venda seria para a Lagoons Empreendimentos, empresa que tem Alex Grangeon Trancoso Neves como um dos sócios e capital social declarado de R$ 1.000. Em 2000, o senador comprou as terras da companhia Traneves Patrimonial, na qual Alex, atualmente, também faz parte do quadro societário.
Na época dos fatos, a venda para Jaques foi representada por Antonoaldo Grangeon Trancoso Neves.
Um cartório de Camaçari barrou a transmissão após decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que bloqueava bens de Jaques Wagner. De acordo com interlocutores do STF, a medida é praxe no caso de alvos de investigação.
A CNN entrou em contato com o senador, mas ainda não obteve resposta. A reportagem também aguarda retorno da Lagoons Empreendimentos e da Traneves Patrimonial.
Em entrevista à rádio Andaiá FM nesta sexta-feira (24), Jaques Wagner nega que haja relação entre a valorização da propriedade e a inauguração da rodovia.
“Sobre o terreno, dá até vontade de rir, porque o terreno talvez tenha sido a única obra feita na Bahia para benefício dos baianos que não teve pago desapropriação. A estrada passou pelo traçado que os engenheiros acharam melhor, cortou lá um pedaço do terreno e eu digo ‘não vou cobrar nenhuma desapropriação”, afirmou Jaques Wagner.
Fonte: CNN



